COM TANTO ASSUNTO SÉRIO AÍ E EU SEM VONTADE DE DIZER NADA

Há uma profusão de notícias nos últimos dias que clamam por um pitaco. Mas estou resistente. Não quero ficar dando palpite aonde não sou chamado. A pior coisa que pode haver é a pessoa se meter a dar opinião sobre tudo. Já convivi com pessoas assim no meu ambiente de trabalho. Davam palpite em tudo, desde as maiores questões da humanidade, até à má higiene dos banheiros que utilizávamos. E não estou cogitando da vida alheia, tão propensa à bisbilhotice dos palpiteiros contumazes.

Contudo há algumas questões que quase nos agarram pelo colarinho, nos sacodem apopleticamente e nos exigem uma postura sensata e equilibrada. Ou mesmo uma bobagem qualquer.

Tenho notado, por exemplo, que, nesses últimos dias, muitos estão preocupados com uma questão de suma importância. Mataram um tal de Max e ninguém até agora sabe quem foi. Até mesmo a presidente Dilma desmarcou comício em São Paulo, em prol da candidatura do libanês, para ver o desfecho da história. Porém, na minha humilde opinião – ninguém me pediu, mas dou assim mesmo –, acho que ela terá uma desagradável surpresa. Não sei se a polícia foi acionada para o caso, porque não o acompanho de perto, porém já tenho um suspeito: o Zé Dirceu. Ele, acumpliciado a Zé Genoíno e a Delúbio Soares, que se associaram em quadrilha, cometeram o crime. Delúbio, inclusive, foi o responsável pela compra e pagamento da enxada que abriu a brecha na cabeça do Max, conforme soube.

Aliás, Genoíno e Delúbio acabam de ser condenados pela justiça federal de Minas Gerais. Acho que desviaram pão de queijo de alguma escola das Alterosas. Ou coisa parecida.

Só sei, na verdade, que a situação desses três – e mais daquele grupo de associados – está muito esquisita. Porém, quanto a isso, o povo aqui do lado de fora, esse que vive os percalços naturais do trânsito, da violência, dos escorchantes impostos, das notícias vergonhosas de nossa vida política, está achando tudo muito bom.

Poderia até ser um pouco melhor, se o Supremo Tribunal Federal metesse a ferros toda a quadrilha envolvida no Mensalão e, via de consequência, também pegasse outros mensaleiros que se espalham por esse país afora.

Não podemos é ficar deitados eternamente em berço esplêndido, esperando que a consciência ética desse pessoal seja acionada. Se não houver punição, a situação pode ficar incontrolável e o Brasil se afundar em sua própria lama.

Pronto, acabei dando palpite!

Imagem em gartic.uol.com.br.

DO DIREITO AO PITACO IV

1. Não bastasse a música chinfrim da banda Rebelde, seu show ainda acabou em confusão em Bauru, na noite de sábado. Além de corromper o gosto musical dos adolescentes, participar do evento ainda coloca em risco a segurança da galera. Assim ninguém aguenta. É mais uma preocupação para os pais da garotada.

2. Choveu forte novamente na Serra Fluminense, principalmente em Teresópolis, onde houve cinco mortes por soterramento. O que aconteceu até agora com os canalhas que desviaram verbas e doações da população, para socorro às vítimas da catástrofe de 2011? Onde estarão esses criminosos agora, enquanto parentes e amigos levam seus entes queridos para o cemitério?

3. O nível de violência em Niterói chegou às raias do absurdo. A antiga cidade tranquila (Até certo ponto, é bom que se diga!) está agora transformada num campo de batalha, em que o cidadão é a vítima e o bandido é o algoz. Mata-se sem cerimônia. E a população está acuada, com medo de sair às ruas, embora não possa deixar de fazê-lo. Até quando as autoridades assistirão ao massacre do morador da cidade, sem tomar uma atitude eficaz?

4. A decisão do STJ que não reconheceu o crime de estupro em três meninas para um acusado, sob a alegação de que elas já praticariam sexo há algum tempo, deixou estarrecida a opinião pública nacional e internacional. Não entendo as leis do país. Li a notícia com as alegações que orientaram a decisão daquele tribunal. Porém a decisão, ainda que juridicamente correta – a tal observância à letra da lei e à prova dos autos –, causa um mal-estar terrível.

5. A Gabriela, personagem de Jorge Amado, a ser recriada na novela por Juliana Paes, é competente em culinária – acarajés, abarás, pamonhas e tapiocas –, conforme conta a Folha online. É algo inverossímil. Há cerca vinte anos ou mais, tivemos uma assessora para assuntos domésticos oriunda de Pernambuco. Quando soube disso, fiquei todo esperançoso em adicionar à minha dieta alguns pratos nordestinos. Então lhe perguntei se sabia fazer galinha de cabidela. E ela: não! Então, buchada de bode? E ela: não! Sarapatel? E ela: também não! Descobri, depois, que ela era tão pobre lá – como a Gabriela –, que quase não tinha o que comer, quanto mais saber como fazer algum prato. Como Gabriela é ficção, pode ser cozinheira de mão cheia e, além disso, bonita e gostosa como Juliana Paes.

Juliana Paes "enfeada", para o início da novela Gabriela (em folha.com.br).

6. A Prefeitura de Niterói resolveu contra-atacar através dos meios de comunicação, com propaganda, a onda de rejeição que o prefeito Jorge Roberto Silveira angariou neste seu mandato. Seu prestígio desceu com o Morro do Bumba, na tragédia de abril de 2010, e jamais foi recuperado, ainda que obras no local tenham sido realizadas. A lentidão em atender as demandas da cidade é o que se vê, quando se anda por aí. Na propaganda, está tudo muito bonito. O problema é que isto não é percebido.

7. O Botafogo jogou, ganhou, mas não deu tranquilidade à torcida. A defesa estava doidinha para entregar o ouro: fez um pênalti (na verdade, não existiu!), andou entregando o jogo (o gol do Friburguense foi demérito nosso) e estava mais confusa que enredo de escola de samba. Assim que Herrera entrou no lugar de Loco Abreu, aos 18min do segundo tempo, meu amigo Zatonio Lahud, botafoguense lúcido e equilibrado, me ligou para reclamar (é sempre assim) e o argentino fez dois gols. Já estamos combinados (um pouco de superstição na faz mal a botafoguense nenhum): ele sempre me ligará, tão logo o Herrera entre. É tiro e queda: o gringo faz, no mínimo, um!