SOBRE ESPIONAGEM E ESPIÕES

Vinha eu ontem do Rio de Janeiro ouvindo no rádio do carro a gloriosa Voz do Brasil, e me chamou a atenção a notícia oficial brasileira de que nossa Presidente (Não escrevo presidenta nem por decreto!) declarou, comentando sobre o vazamento da espionagem da ABIN e as rebarbas da espionagem do Obama, que a nossa é muito melhor, no sentido de que é do bem e não pretende prejudicar ninguém.

Acho que o Brasil tem espiões cândidos, almas quase inocentes, que se põem a bisbilhotar a vida alheia, sem nenhuma intenção malévola. Apenas como voyeurs caboclos, que jamais saberão o que fazer com o produto de sua espionagem.

Já a espionagem americana, pelo que deduzi das entrelinhas sonoras da Voz do Brasil, sempre tem o intuito de cravar o ferro em alguém, sobretudo no adversário, no parceiro, ou no amigo, como ficou evidenciado com as denúncias daquele cara que está escondido não sei onde e que soltou o verbo (Não tenho espiões aqui para lhe saber o paradeiro real.).  O tal do Snowden!

Na fieira de sua língua solta, acabamos por descobrir que todo mundo espiona todo mundo: russo, francês, alemão, inglês, chinês, coreano do norte e do sul. E até mesmo nós, brasileiros carnavalescos, futebolescos e sambistas alienados! Nós temos também nossa espionagem!

Só que a Presidente (Não escrevo presidenta nem que o bezerro desmame!) Dilma já inocentou nossos espiões. Espiamos para o bem. Não sei bem de quem, mas nunca para o mal.

Na verdade, a espionagem é uma atividade normal de qualquer estado constituído ou a se constituir. Todo mundo espiona.

Tenho um vizinho que vive espionando a janela indiscreta da morena de hábitos liberais.

Eu mesmo, na juventude, com meus primos e amigo, tínhamos uma luneta para espionar duas irmãs – uma lourinha e outra moreninha – que estavam sempre com a janela aberta, após tomarem banho e providenciarem as roupas que iriam vestir. Na época, pelo início dos setenta, já havia exibicionistas e voyeurs à vontade.

E nós quatro sempre espiávamos para o bem, como os nossos arapongas da ABIN. Era um prazerzão! No momento de pique entre tirar a toalha e se decidir pela calcinha a vestir, a luneta só era liberada quinze segundos para cada um. Cravados no cronômetro! Caso o recalcitrante quisesse ainda permanecer com as butucas sobre as donzelas, o da vez sempre punha o mãozão na frente da objetiva, para frustrar o aproveitador.

E o poder dessa espionagem foi tão grandioso, que eu, particularmente, ainda tenho em minhas quase descoladas retinas a imagem daquelas duas belas jovens a se trocarem.

Por isso é que eu acredito na Presidente (Não… etc.) Dilma: nossa espionagem não causa malefícios, nem efeitos colaterais. Não iremos comprar petróleo de ninguém a preço baixo, nem ter benefícios em leilões e acordos internacionais. Espiamos apenas por espiar, como voyeurs amadores como eu, meus dois primos e meu amigo, uma equipe de arapongas com sua luneta desvairada a bisbilhotar o exibicionismo de duas irmãs, lá na década de setenta.

Viva a sadia e benévola espionagem brasileira!

Spy vs spy, criação do cubano Antonio Prohias.

O BARATO DO BARAK

Fiquei esperando até agora um telefonema de Obama, e ele não me ligou para dizer se ganhou ou não as eleições no país da Sandy.

Eu tinha dito aqui que Sandy era uma eleitora poderosa, de arrasar quarteirões. Quiçá vilas e cidades inteiras. E ninguém me levou a sério. Nem mesmo aquele outro, o mórmon, cheio da grana, que com ele concorria. Se ele mandasse chamar Júnior, pode ser que equilibrasse a disputa. Do jeito que foi, certamente deu Obama. É que a Sandy sozinha fica muito suscetível a mudanças de humor, como se viu.

Não vi nenhuma notícia até agora, mas, pelos fogos que um vizinho soltou na hora do café da manhã, tenho a impressão de que o mulçumano afrodescendente – e comunista ainda por cima – deve ter ganhado as eleições. Esse meu vizinho é francamente americanófilo e também metido a esquerdista. Vive falando que segue a dissidência do marxismo de um tal Groucho Marx, surgido em Hollywood na primeira metade do século passado e amplamente divulgado no cinema.

Acho, então, que com a vitória do Barak posso ficar mais sossegado, como o restante do mundo. O big stick vai entrar suave, sempre precedido de um sorriso franco e um jeitinho todo merengue que ele tem. Também não sou terrorista que destrói prédios gigantes!

Se ganhasse o outro, o ricaço, pode ser que todos tivéssemos de pagar o preço alto que seu país cobra dos subalternos, para que seus compatriotas continuem a gastar o planeta como se fossem a última geração sobre a face da Terra.

Foi de bom tamanho o Barak ter vencido!

O Osama não existe mais. Aí o barato do Barak talvez seja mais construtivo que destrutivo.

Viva Osama! Aliás, viva Obama!

Mitt Romney pronto para comer a criancinha. Ué, o comunista não é o Obama? (imagem em noticias.uol.com.br).

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PS 1: Não levem em consideração a digitação errada no primeiro viva. Já tinha postado este texto, quando percebi e não deu tempo de corrigir. Mas vale o segundo viva, que não sou besta nem nada!

PS 2: Soube que, também nesta eleição estadunidense, houve um estado que aprovou o uso da maconha para fins de entretenimento. Depois sou eu que ando com caraminholas na cabeça!