TÍMIDA PRIMAVERA

Ainda é timida a primavera. Pelo menos, é o que pude constatar em Itaipava neste último fim de semana. Ficamos hospedados numa pousada a cerca de seis quilômetros da vila, em lugar de conforto visual e contato com a natureza, e tive esperança de que que teria a primavera a nos inundar. Mas estamos nos trópicos, apesar da altitude do distrito de Petrópolis, e as flores esperadas ainda são muito poucas, quase nada. Mesmo assim, me municiei da câmara fotográfica e saí a cata de alguns exemplares. Vi até jacus no espaço entre árvores frondosas. Embora eu seja de pequena vila do interior, só sei de algumas dessas aves por ouvir falar. Meu pai sempre se referia a diversas delas, mas me dizia que estavam sumidas, em virtude de excesso de caça. A política de preservação tem feito um grande bem à nossa fauna. Em setenta anos de vida, foi a primeira vez que vi jacus. Francisco, com quatro, já teve esta oportunidade.

Aí estão alguns registros da primavera na Serra Imperial de Petrópolis.

  

EM ITAIPAVA

Subi a serra de Petrópolis com Jane, para fugir um pouco ao calor de Niterói. Às vezes, à beira da Poça não venta, não sopra, não refresca. E você gasta uma nota firme em ar condicionado ligado quase o dia inteiro. Ou então periga entrar em ebulição.

Saímos sexta-feira pela manhã de Niterói, escorraçados por uma temperatura que palmeava a altura dos 35°C. Coisa de doido!

Como não íamos lá há algum tempo, resolvemos, de uma hora para outra, voltar.

Por sermos pessoas extremamente urbanas, gostamos de ficar na Pousada Arcádia, localizada em frente ao Shopping Vilarejo e ao lado do Parque de Exposições, que dá o conforto de se poder fazer muita coisa a pé, sem necessidade de pegar carro. Ali por perto estão vários pontos de interesse.

Passamos, de início, por Petrópolis, onde fomos pechinchar na Rua Teresa. Não sei se todos os meus leitores sabem, mas esta rua é o maior polo de moda da cidade, que ainda tem outros. São centenas de lojas, umas ao lado das outras ou em cima delas. É bom que se diga, também, que é moda popular, nada de grifes famosas.

Chegamos à pousada lá pelas quatro da tarde. Descansamos, tomamos banho e, ao sair, pelas 20h, deparamos com a civilizada temperatura de 22°C.

Logo ali adiante, está o Itaipava Shopping, onde se localiza o restaurante Bordeaux, misto de loja de vinhos e delicatessen. O ambiente, dividido em dois e com mesas também pelas calçadas, é extremamente agradável. O atendimento cortês e eficiente. As ofertas interessantes.  O cliente vai até a loja e escolhe nas prateleiras o vinho que lhe agrade, que será servido à temperatura ideal. Há a possibilidade de se servir de uma lauta mesa de queijos, frios, pães e pastas – a peso – ou se valer do cardápio.

Da primeira vez em que lá estivemos, tive a intuição de escolher o Merlot Terroir da Miolo, por me ter simpatizado com o rótulo limpo, sem frescuras. O sommelier me deu as dicas da escolha e senti que havia acertado. Quando o vinho foi servido, a certeza da escolha se confirmou. Nesta sexta-feira, procurei novamente pelo vinho nas prateleiras e não o encontrei. Então falei ao gerente da minha agradável experiência anterior. Ele, mais que depressa, mandou buscar uma garrafa em sua adega. E se repetiu a mesma sensação da primeira vez: é um vinho nacional muito bom.

Combinamos o vinho com alguns frios, queijos e uma pasta de azeitonas pretas e o arrematamos com filé aperitivo ao molho madeira, assessorado por fatias de pão.

Voltamos à pousada, caminhando sob a fresca da noite.

E tivemos a certeza de que foi proveitoso escapar um pouco ao calor do Rio de Janeiro e adjacências.

Itaipava à noite (foto do autor).

Itaipava à noite (foto do autor).