CHEGUEI E ACHEI TUDO NA MESMA

Há uma anedota que diz que certa pessoa passou dez anos sem ir a Paris e, assim que voltou, constatou que a cidade não havia mudado em nada, estava na mesma. E isto a fez exclamar: Graças a Deus, Paris não mudou!

Estive por dez dias fora do país. Fiquei praticamente sem saber de notícias daqui. Quando voltei, também encontrei quase tudo na mesma: na mesma esculhambação, na mesma confusão, na mesma improvisação de sempre.

Saí depois da Copa das Confederações e voltei em meio à Jornada Mundial da Juventude, e o que me pareceu, logo de saída, pelas notícias, é que o Rio de Janeiro – não sei de outras cidades – não tem capacidade de receber um número muito grande de visitantes de uma única vez. Os transportes públicos não atendem bem nem os moradores daqui, imaginem se atenderão mais milhares de usuários. Nossa improvisação, nas mais diversas situações, não funciona quando o bicho pega, quando o pau quebra, quando a cobra fuma. Aí não é possível dar um jeitinho.

Como dar um jeitinho à saída de um milhão e meio de pessoas de uma concentração em Copacabana? No réveillon esse troço funciona? Não sei!

Devo confessar que, no último réveillon a que fui, as regras eram outras. Cheguei cedo, estacionei o carro numa garagem, fui para a casa de um amigo, depois à praia e, assim que o trânsito foi liberado, voltei a casa. Não precisei do transporte público. Mas quem o utiliza deve passar seus apertos. É que nossa administração pública não existe para facilitar nossas vidas. Antes existe, para tirar nosso dinheiro em forma de impostos e, posteriormente, nos pedir compreensão, sacrifícios e abnegação.

E, se nossas autoridades não dão atenção a quem lhes dá a grana diretamente, também não dará a quem vem aqui esporadicamente para atrapalhar ainda mais a vida na cidade.

Vi, por exemplo, um jovem carioca falando da vergonha que sentia pela falta de transporte ao final de um dos eventos da JMJ. Ele se fazia acompanhar por vários visitantes e não tinha como lhes explicar o fato. Impotente, só podia sentir vergonha.

Não sei onde vi, mas parece que o abestado do Joseph Blatter, presidente da suspeita multinacional FIFA, já estava arrependido de ter escolhido o Brasil como sede da próxima Copa do Mundo. Bem feito! Quem mandou entrar no esquema? Agora tem de aguentar! Na época, em 2014, veremos o que se pode fazer. E, como agora, as autoridades vão lamentar o ocorrido e prometer providências para que tal não se repita. Como vêm dizendo há anos, diante das mais diversas situações.

Nossas autoridades não administram, não previnem situações, não resolvem problemas. Quando esses se manifestam, de forma contundente, elas vão a público lamentar o corrido e prometer ações preventivas num futuro que nem Deus sabe se virá.

E dizer, com um tom humorístico de muito mau humor, como o fez o prefeito Eduardo Paes, que o Papa provoca engarrafamento. Como se isso fosse uma grande novidade: a visita de uma pessoa com sua estatura pessoal e religiosa. O prefeito do Rio de Janeiro não soube disso antecipadamente. Ele é um abestado!

Eh, Brasilzão lascado, sô!

Imagem em geogente.wordpress.com.

VÃO INSTALAR UMA UPP NO EDUARDO PAES

O prefeito do Rio de Janeiro foi jantar com sua esposa em um restaurante japonês da Zona Sul do Rio de Janeiro.

Estava placidamente acomodado, quando foi incomodado por um jovem músico, que se dirigiu a ele e o ofendeu. Como postou no seu Facebook, o músico disse ao prefeito que ele é um bosta e vagabundo.

Não deu outra: o prefeito deu-lhe um soco na cara.

Veja só! Não votei no Eduardo Paes, não sou do seu partido e tenho algumas restrições à sua administração. Mas o soco foi bem dado.

O cara, isto é, o músico, como postou em sua página no Facebook, se acha cheio de razões em odiar o prefeito e lhe dizer na cara o que pensa.

O prefeito, naquele momento, era muito mais o cidadão do que a autoridade. Estava em momento descontraído, com a esposa, para usufruir dos prazeres da cidade. Igualzinho ao músico, que já se encontrava no restaurante e se julgou incomodado apenas porque não deve ter votado no prefeito, deve ser simpatizante de partido oposto ao do alcaide e se julga no direito de ofender. Enfim, se acha!

Se eu fosse o prefeito também desceria o braço nos cornos do cara.

Bem ou mal, o prefeito foi eleito pelo voto direto, secreto e democrático da maioria dos cariocas. Se eu e o músico não contribuímos para sua eleição, temos o dever de respeitá-lo como cidadão. Aliás, devemos respeitar todas as pessoas.

Qualquer homem – mesmo um bosta – a que ele dirigisse seu xingamento reagiria da mesma forma. Alguns até poderiam lhe dar um tiro na cara, por exemplo. A cidade do senhor Eduardo Paes não é um mar de tranquilidade, bem sabemos. E o carinha foi audacioso ao extremo.

Neste caso se pode aplicar a lei física da ação e da reação. Ou a espírita – a do retorno: foi o insulto, voltou a porrada.

O músico e sua mulher foram a exame de corpo de delito e ameaçam processar o prefeito. Por seu lado, o prefeito reconheceu que agiu de forma desmedida e pediu desculpas à população por seu gesto.

Já Mariano Beltrame, secretário estadual de Segurança, está estudando a possibilidade de instalar uma UPP no prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes.

Mariano Beltrame anunciando a instalação da UPP em Eduardo Paes (imagem em rafaeloliveira-rj.blogspot.com).