A INAUGURAÇÃO DO MARACANAÇO

Perdemos uma boa oportunidade de reinaugurar o nosso mítico estádio de futebol, o Maracanã, com um Maracanaço, como ocorrido em 1950.

Naquele ano, o primeiro da sua existência, ocorria a quarta Copa do Mundo no Brasil, e a nossa gloriosa Seleção entrou em campo dependendo apenas do empate – regulamento da época -, para que se sagrasse campeã do mundo pela primeira vez. Começamos vencendo e levamos a virada: 2×1.

Tenho a impressão de que ainda não haviam instituído a mutreta, hoje comum na FIFA, segundo várias teorias da conspiração futebolísticas, e, sem combinar com os uruguaios, esses pequenos vizinhos incômodos, fomos derrotados em casa, diante de um público bestial e bestificado. Obdúlio Varela, herói da partida, calou quase duzentos mil torcedores.

Ontem, na partida contra a Inglaterra, considerada a inventora do nobre esporte bretão (Deve ser mesmo: bretão se refere à Britânia, nome antigo da Inglaterra.), os súditos de chuteiras da Rainha-Velha quase nos fazem a mesma desfeita. Começamos a ganhar, levamos a virada e só não pagamos novo mico, porque os deuses do futebol não estavam nem aí para aquela insossa partida.

Na verdade, esse time do Filipão (Toda vez que temos má vontade com um time, é assim que nos expressamos.) é um bando de gente querendo aparecer. Não há padrão de jogo, e nem mesmo os melhores foram selecionados. Há uns e outros ali de que eu mesmo, apaixonado por futebol, não ouvi nem péssimas referências, quanto mais, ótimas.

Diz o Gavião Bueno que estamos indo para a Copa das Confederações com esta equipe.

Que Deus nos proteja!

 

Ficheiro:World-cup-poster-brazil-1950.jpg

Cartaz da 4ª Copa do Mundo (imagem em pt.wikipedia.org).

MARACANÃ PERIGOSO

Ouvi há pouco na rádio CBN a notícia de que a juíza de plantão da 13ª Vara de Fazenda, em atendimento a intervenção do Ministério Público, determinou a suspensão do jogo de domingo entre Brasil e Inglaterra, no Maracanã, sob alegação de falta de segurança para o público.

Por que só agora o Ministério Público tomou esta atitude? E quando do jogo inicial em que o público foi constituído pelos operários que lá trabalharam e suas famílias não havia insegurança? Ou operário está mais aí mesmo é para servir de cobaia a testes como esses? Além disso, baseado em que laudo técnico, o Ministério fundamentou seu pedido? Será que foi da mesma empresa que afirmou, no início do ano, que o Engenhão iria desabar sobre a cabeça da torcida e depois se comprovou que nada havia de errado na estrutura do estádio, embora até hoje ele não tenha sido reaberto?

Que diabo de gente é o brasileiro que deixa tudo para a última hora, para em cima do laço tomar atitudes?

Hão de me dizer alguns que antes tarde do que nunca. O que não deixa de ser uma verdade. É melhor prevenir do que remediar, dirão outros. Mas, ó raios! Estamos de saco cheio de ver atitudes tomadas apenas para que seus autores pintem na mídia, com sua cara mais deslavada para dizer de suas graves preocupações, sem que haja realmente o com que se preocupar.

Quero dizer de público que tenho a maior empatia com o Ministério Público e seu valoroso trabalho atual. Mas há de se ter também bom senso.

Há quanto tempo vêm transcorrendo essas obras do Maracanã? O MP colocou alguém de plantão para acompanhá-las e verificar sua correta execução? Ou recebeu laudos periódicos sobre o andamento de tais obras?

Este episódio está a lembrar aquela matéria ridícula que a repórter da Rede Globo Glória Maria fez um pouco antes da inauguração do Sambódromo, na qual apontava falhas, rachaduras, defeitos mais, capazes de fazerem desabar a estrutura projetada por Oscar Niemeyer para os desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro. A pantomima da jornalista foi das coisas mais ridículas que a Globo já produziu, e até hoje o troço está lá de pé. E nunca mais se falou nisso.

A alegação de agora está baseada num laudo da PM de um mês atrás, em que a Polícia informava que as obras não estavam concluídas. Assim o MP – não confunda com PM – teme que haja pedras, pedaços de pau e outros materiais que os torcedores possam usar como arma numa suposta batalha campal, num jogo festivo, que não vale absolutamente nada, e de uma única torcida.

E a juíza, apenas diante de tal solicitação, resolveu atender a este rompante de cuidado do Ministério Público para com o torcedor que lá estará.

Acho que há de haver cuidados. Mas, no caso, me parece mais que o MP está jogando para a arquibancada.

Daqui há pouco, talvez, a liminar da juíza será cassada por instância superior.

 

Imagem em ralphbraz.blogspot.com.