NOVA CAMPANHA NO AR

Tive uma súbita ideia. Sei que não é boa, como quase todas as que me apoquentam a cuca. Mas, enfim, foi a que me ocorreu e quero lançá-la aqui, no intuito de encetar (Gostaram o verbo?) uma nova campanha em prol do Brasil.

Desde que Renan Calheiros foi eleito e emporcalhado, ou pior, empossado no cargo de presidente do Senado da República, pipocam campanhas para apeá-lo de lá, por seus próprios e notórios deméritos (Ele fez por merecer!). Todas elas, aliás, louváveis e beneméritas.

Eu mesmo já postei aqui alguma coisa contra, que repercutiu menos que as coxas bombadas da Graciane Barbosa no desfile da Mangueira.

Contudo não sei da eficácia de nenhuma delas.

Bolei, então, outra.

Como sabem meus leitores, sou oriundo de Carabuçu, 4° distrito de Bom Jesus do Itabapoana. Além de meu distrito e da sede, que é o 1°, o município tem, ainda, Serrinha, 6°, Pirapetinga de Bom Jesus, 5°, Rosal, 3°, e Calheiros, 2°, que completam assim o patchwork geopolítico do meu progressista município.

Vejam aí a incrível coincidência entre o nome do pacato segundo distrito de Bom Jesus e o sobrenome do indigitado político.

Ao lançar tal campanha, não sei se me tornarei persona non grata para o distinto povo daquele rincão da terra fluminense, o que talvez não faça muita diferença, já que nunca estive lá – nem sei mesmo suas coordenadas geográficas -, mas quero lançá-la:

RENAN, VÁ PRA CALHEIROS!

Gostaria que meus leitores prestassem bastante atenção à frase. Sinto, mesmo assim, certa necessidade de reiterar, com todas as letras garrafais de que disponho, que estou mandando Sua Excelência para Calheiros, e não para outro lugar que a mente suja de algum leitor mais maldoso e extremista possa imaginar.

Por isso, é que até vou repetir:

VÁ PRA CALHEIROS, RENAN!

Abaixo vai o mapa de Bom Jesus do Itabapoana, com a localização de Calheiros, para que não me chamem de mentiroso e para que ele já saiba seu destino.

Imagem em ivt.rj.net.

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PS: Aquele Bom Jesus do Querendo, acima à esquerda, está querendo ser Bom Jesus há muito tempo. Nunca conseguiu!

DO DIREITO AO PITACO IX

Andei olhando as folhas online e exerço o direito ao pitaco, que é um direito inerente a qualquer cidadão, sobretudo a quem não sabe daquilo que fala. Como eu.

Aí vão minhas sábias e pertinentes observações.

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Vem dos Estados Unidos a notícia de que a polícia matou o sequestrador do menino, que foi salvo sem um arranhão.

Aqui não sei se o desfecho se daria do mesmo jeito. Talvez a nossa polícia matasse o menino com uma bala perdida, na troca de tiros com o sequestrador, que fugiria sem deixar rastros. E, se preso, poderia ainda tentar um habeas-corpus, um efeito suspensivo, um relaxamento de prisão, ou mesmo um acerto no subterrâneo onde se meteu. Na cadeia, dificilmente iria parar. Até porque é fácil fugir de cadeias no Brasil.

Mas, caso o morto fosse o sequestrador, teríamos de ouvir a cantilena sobre a truculência da polícia que não sabe negociar, não tem competência, age na base da sofreguidão, o que não permite salvar ambos: criminoso e vítima.

Com frequência temos visto ações assim da polícia norte-americana. Tretou, relou, ela elimina a causa do problema, até porque, normalmente, o criminoso é um psicopata incurável, como atestam as fotos publicadas nas folhas.

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No campo do esporte, também em terras de Tio Sam, onde a bola não rola, houve a final daquele estranho esporte com bola oval, que não se joga com os pés, onde os gols só são atingidos depois de um cara sair numa desabalada carreira para colocá-la no chão.

Eu sinceramente não entendo aquele jogo. Parece a apuração dos desfiles de escolas de samba no Brasil. As regras só são compreendidas pelo árbitro, que fica apitando, dando de mão e se explicando pelo sistema de som do estádio, a fim de que a torcida não ofenda sua digníssima progenitora.

No dia em que os ianques conseguirem dominar a tecnologia da esfera e produzirem bolas redondas, podem ter certeza de que eles aprenderão a jogar futebol, pois aí a bola vai rolar e eles é que terão de sair correndo atrás dela, em vez de correr com ela. É uma coisa deverasmente estranha!

O jogo pode ter sido uma porcaria, mas a cantora… (em jangadeiroonline.com.br).

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Do Irã vem o chiste do ano, mal começado este 2013 que promete: o presidente do país, Mahmoud Ahmadinejad, disse que vai ser o primeiro astronauta iraniano. Como manda quem pode e obedece quem tem juízo, não duvido nada de que Sua Excelência faça sua entrada no céu, antes mesmo de completar seu glorioso mandato aqui embaixo. Que Alá o acompanhe na empreitada.

Além disso, aproveitou a ensancha oportunosa para dizer também que Israel se arrependerá amargamente por ter supostamente invadido o território sírio. Não sei se Israel estará disposto ao arrependimento. De qualquer forma, eles que são religiosos é que se entendam.

E, se invadiu, é outra coisa que não sei. Tudo que é supostamente, para mim,  é muito duvidoso. Para o bem e para o mal. Tanto no caso dos devotos de Alá, quanto no caso dos devotos de Javé. Já vi que isto não vai dar pé!

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Atravessando o Mar Vermelho, chegamos ao Egito, terra de faraós. Lá o novo e odiado presidente que o próprio povo elegeu, mas já está arrependido, pediu à polícia que não desça o cacete no populacho, vulgo bucha de canhão, massa de manobra, “eh, ô, ô, vida de gado, povo marcado, povo feliz”.

Mohamed Mursi é um homem muito religioso e muito educado, por isso não determinou, não ordenou que sua polícia aja com educação. Apenas pediu, cheio de dedos, para não ferir suscetibilidades.

A pior coisa para um governante não é o ódio do povo, mas a malquerença de suas forças de segurança. Se a segurança não segura, fica difícil se segurar.

E ele, que ainda não está enrolado em todas aquelas ataduras de faraó, mas pretende chegar lá, quer-se segurar no poder. Alá que o livre de perder a boca!

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Voltando ao solo pátrio, dou de cara com a frase do ministro Joaquim Barbosa, presidente do STF, sobre o julgamento de Renan Calhorda: “Vai demorar um pouquinho.”.

Depois de terminar o mandato dele, Renan, talvez. E aí fica o dito pelo não dito, e a tal Lei da Ficha Limpa cai de vez no esquecimento.

Acho que vou experimentar uma aguardente que ganhei do amigo Rogério Barbosa, que a trouxe para mim de Cabo Verde: Grogue Velha.

Depois lhes digo quais as minhas impressões gustativas, olfativas e bafométricas, com a ajuda da radical Lei Seca. Aliás, quero dizer-lhes que, quando a Lei Seca completou um ano, tomei umas e outras em sua homenagem.

Fui!

RENAN LÁ!

A eleição de Renan Calheiros para a presidência do Senado foi um contundente recado de nossa Câmara Alta ao povo brasileiro, ou, pelo menos, à parcela mais consciente, do ponto de vista político, do eleitorado: Aqui quem nanda somos nós. Não adianta vir com essa baboseira de ética. Em política, o que vale é o interesse corporativo.

O próprio Renan adiantou-se a desqualificar a Ética na política, ao afirmar em seu discurso que ela não pode ser um fim. E pretendeu ser correto ao dizer alguma coisa sobre transparência, algo que nunca passou de raspão sobre sua vida política.

Renan é, por todos os seus deméritos, um achincalhe na presidência daquela Casa, de onde já fugiu, há alguns anos, a fim de que não sofresse processo de impedimento.

Agora, a maioria de seus pares, que se merecem, que são da mesma laia, acintosamente o reconduzem ao posto que jamais deveria ocupar, fosse o Brasil um país minimamente decente, sério, ou com um pingo de vergonha na cara.

Só não está o Congresso definitivamente dissociado do povo brasileiro, porque tal tipo de político está lá por escolha direta de parte do eleitorado.

E, embora seja difícil aceitar isso, nós o merecemos.

Até que a vergonha na cara seja, como queria Capistrano de Abreu, a lei maior a reger os destinos da nação.

Até que isto seja possível, os eleitores conscientes – e com um mínimo de verniz ético – terão de suportar a corja que nos envergonha.

Imagem em pelosarmarios.blogspot.com.