NÃO SAIU O TREM DAS NOVE

Como ocorre quase todos os dias, hoje não houve postagem às nove horas da manhã, que é, aliás, sempre programada de véspera. Não costumo acordar tão cedo assim e preparar um texto saído do forno. Isso é coisa de padaria ou dos madrugadores, categoria em que, definitivamente, não me incluo.

Hoje, especialmente, fui acordado para ir ao SAARA, o centro de comércio popular do Rio de Janeiro.

Não consigo entender como minha mulher goste de ir àquela muvuca, quase sempre entupida de gente – hoje particularmente, não! – que se esbarra em outras tantas gentes apressadas, suadas, olhando aleatoriamente a sucessão de lojas de todo tipo de quinquilharia.

Esse tal casamento com “comunhão de” impõe, às vezes, certas condições aos cônjuges. Esta é uma delas: de quando em vez, acompanhar minha mulher até lá.

Depois de certo tempo, aparece uma sufrega na minha pessoa, que quer resolver tudo de forma rápida, para sair dali o mais depressa possível. Ela percebe isso e fica chateada. Hoje até que não! Porém o mais comum é ela dizer que não mais voltará lá comigo, que prefere ir sozinha, pois pode entrar na loja que quiser, ver o que quiser e não quiser (o mais frequente), sem marido resmungão atrapalhando.

Nesses momentos, fico torcendo para que isso ocorra. Mas jamais, em tempo algum, ocorreu. Sempre que voltamos para casa, ela se esquece do aborrecimento e, dias mais adiante, me chama novamente para voltar ao SAARA, porque precisa de alguma coisa que só lá está por um precinho camarada.

Mulher, quando encasqueta com uma coisa, leva aquilo até o fim. E não faz conta do custo da gasolina, do estacionamento, que é caríssimo, dentre outras despesas diluídas a cada visita ao SAARA. E aquilo que é um real mais barato lá acaba saindo por mais do que o dobro, se comprado no comércio perto de casa. Contudo isto não é da lógica feminina. A lógica dela, pressuponho, é a da satisfação. E isso ela tem bastante, ao andar no meio daquela barafunda.

Para não dizer que não se tira nenhum proveito dessa via crucis, sempre que oportuno vamos almoçar no Cedro do Líbano, tradicional restaurante de comida árabe localizado na Rua Senhor dos Passos. E hoje, sobretudo, após uma caminhada de uma hora sob sol calcinante – eu estava com meu panamá para proteger minha desbotada cor branca dos raios solares -, entramos no restaurante, que passou por uma reforma que o deixou mais clean, e pedimos como entrada a tradicional pasta de grão-de-bico (homus bi tahine) com pão árabe e uma estupenda cerveja Therezópolis Gold, que desceu maravilhosamente bem. Almoçamos singelamente – pessoas de nossa idade não conseguem mais empanturrar-se de comida, como ocorria na juventude, o que é uma pena – arroz com lentilha (mjadra) e quibe assado recheado com carne. Regamos tudo com bastante azeite. Comemos com vagar, protegidos pelo ar condicionado fresquinho, e terminei com um gostoso café forte.

Nem sempre ir ao SAARA é um grande sacrifício!

Por isso o trem das nove se atrasou hoje e só está saindo agora, após as dezoito horas.

Tenham todos uma boa noite!

Não estou recebendo nenhuma grana pela propaganda da Therezópolis. É só reconhecimento mesmo.