BOTAFOGO NA LIDERANÇA

Não foi preciso jogar bem, para que, ontem, o Botafogo vencesse o Fluminense na Arena Pernambuco.

No primeiro clássico, após a parada para a Copa das Confederações, os jogadores pareciam um tanto sem ritmo, sem pegada. De parte a parte, e não só do Botafogo.

É bem verdade que o Fluminense entrou gerando expectativas maiores pela volta do Fred, que fez uma bela Copa. Mas não contava com a exibição soberba de Dória, ainda um jovem jogador, porém com segurança de veterano.

Não sei se estou errado, todavia observei que, sem Fellype Gabriel, nosso meio campo ficou menos criativo e as oportunidades do ataque  foram menores. Tanto ele, quanto Andrezinho, que embora nunca se tenha mostrado soberbo, podem fazer falta. E muita. Sobretudo o Felyppe, que chegava até a área para concluir.

Apesar de tudo, num jogo apenas regular, em que o domínio territoria passou de um a outro lado, o Botafogo contou com a categoria e a classe de Seedorf, realmente um jogador diferenciado.

Soube que há tricolores chorando a não marcação de um possível pênalti feito por Jéferson em não sei quem. Se vi pênalti, fiz como aquele macaquinho com a mão nos olhos, porque era contra nós. E contra nós, contra o Botafogo, é quase tudo injusto e imoral.

Dá-lhe, Fogo!

Seedorf – foto Agência Estado (em espn.com.br).

SOBRE A EXPULSÃO DE SEEDORF E SUAS CONSEQUÊNCIAS

De início, quero informar ao leitor que não sou membro da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da excelsa Câmara dos Deputados, em Brasília. Como também não faço parte de nenhuma ONG que defenda quem quer que seja. Mas vou entrar nessa discussão toda, em torno da expulsão de Seedorf no jogo entre Botafogo e Madureira, no domingo passado.

O incólume árbitro da partida, de nome muito complicado para ser guardado, andou bem em expulsar o holandês-surinamês (ou surinamês-holandês), já que o próximo clássico do Glorioso é contra o Vasco, ameaçado de nem ficar na vice-liderança neste turno. O que, de fato, nem seria tão vexatório assim. Melhor que ficar em vice.

E é preciso que alguém faça alguma coisa, para salvar a Taça Rio de uma nova e sem-graça vitória do Botafogo. Isto é impensável para os que pretendem que o futebol seja uma caixa registradora antes de ser uma competição esportiva limpa.

Assim, atendendo a inúmeras solicitações, como qualquer cantor de churrascaria, Sua Senhoria houve por bem expulsar Seedorf e preencher a súmula do jogo com várias informações que, aos meus olhos insuspeitos de botafoguense, são de uma sandice só.

Ameaçam, agora, deixar o craque botafoguense no gancho por doze partidas.

Será o cúmulo do despropósito que um bando de almofadinhas se dê ao desfrute de acatar a tese de que a “grave ofensa” do holandês-surinamês afrodescendente justifique a pena.

Será a primeira vez que isso ocorrerá nessas terras tropicais tão propícias ao afrouxamento penal, moral e coisa e tal, bem como às benesses da legislação. Neguinho (Sem ofensas, ok?) aí mata seu semelhante e, às vezes, é condenado a cumprir pena em regime aberto (Hahaha!). Tenho a maior vontade de ser condenado a cumprir pena em regime aberto só para saber como é isso! Em princípio, é um troço doido!

Mas devemos ser rigorosos no futebol, que é a grande paixão nacional e não pode ser conspurcado pela desfaçatez de um surinamês-holandês afrodescendente ofender um branco azedo de nome anglo-germânico.

Ora, façam-me o favor!

 

Imagem em lancenet.com.br.

JOGAMOS COMO TIME PEQUENO

Até que ganhamos, mas, diferentemente do jogo de quinta-feira em Belo Horizonte contra o Cruzeiro, hoje, no Engenhão, nossa casa, contra o Náutico, o Botafogo jogou como time pequeno.

Se no jogo anterior, o time deu uma aula de futebol solidário, ofensivo e inteligente, partindo para o ataque sem medo, no de hoje, após o gol meteórico de Elkeson, no primeiro minuto, o time recuou e passou a se defender, um tanto perdido, desorganizado, sem conseguir dar sequência a jogadas, e esperando as oportunidades para contratacar. Tal papel não seria nosso, mas do visitante.

E na maior parte de todo o jogo o domínio da bola foi do Náutico.

No entanto, me dirão os arautos da objetividade: Pô! ganhamos de 3×1 e isto basta!

Mas não me parece bem isto.

A partida era no nosso prego. E, no prego, o canário dono tem de fazer valer tal condição. Isto aprendi vendo briga de passarinho lá na minha vila. E o Botafogo parecia o visitante: recuado, acuado, sofrendo uma pressão miserável. Houve bola na trave, defesa milagrosa, oportunidades perdidas pelo time pernambucano. É claro que, se o Náutico fosse um pouquinho melhor – ou tivesse um pouco mais de sorte –, teria empatado o jogo e as coisas ficariam muito esquisitas para nós. Sabemos que nossa condição psicológica é vulnerabilíssima.

Fizemos três gols, com boas jogadas (e houve mais uma, em que Seedorf chutou por cima), mas ficamos só nisto. Tivemos foi é sorte, isso sim! O que faltou ao Náutico. Ainda bem!

Para fechar, quero deixar claro que, na condição de botafoguense, esta minha reclamação faz muito sentido. Para nós, não basta simplesmente ganhar. Há que mostrar que a vitória foi merecida e insofismável.

JOGAMOS COMO TIME GRANDE

A vitória de ontem, em Belo Horizonte, sobre o Cruzeiro, e de virada, mostrou que o Botafogo tem elenco para não fazer os papéis miseráveis que, por vezes, anda fazendo no campeonato brasileiro.

Embora desfalcado de algumas peças, o que se viu em campo foi uma meninada disposta a não perder a oportunidade de mostrar serviço.

Mas, vamos combinar, o Seedorf ontem extrapolou competência, como dizia meu antigo chefe da repartição. Fez os dois gols da virada aos 34 e aos 35 minutos do primeiro tempo e, no segundo, deu uma arrancada sobre o Leandro Guerreiro e cruzou na medida para Jadson, que entrou sozinho, driblou o goleiro e meteu para as redes.  Com sua experiência de grande jogador, orientou os demais jogadores, pediu calma e passou a ser o nosso centroavante nos minutos finais.

E agora lhe pergunto, estimado leitor: por que é que o time não mostra esta mesma disposição em todas as partidas? Por que é que temos de sofrer como torcedores bipolares, que vão da euforia à depressão, a cada rodada? Não seria possível que, pelo menos, em todos os jogos houvesse demonstração de padrão de jogo, de esquema tático, de disposição de luta?

Os 3 x 1 de ontem não foram obra do acaso. Deu para perceber isso claramente. E, enquanto tocávamos a bola como time grande, o Cruzeiro mostrava sua face desvalorizada, como um bando de jogadores correndo como baratas desorientadas pelo Detefon.