SOU UM HOMEM SÉRIO, MAS DADO A FROUXOS DE RISO

Os jornais, às vezes, se transformam em veículos de humor.

Não sei se a realidade é que é hilária, ou os meios de comunicação que a fazem assim. Das duas, uma. Ou as duas ao mesmo tempo.

O Brasil, no entanto sabemos, é um país risível. Dizem mesmo que o velho general De Gaulle, do alto de sua empáfia francesa, afirmou certa vez que “Le Brésil n’est pas um pays sérieux!”.

Verdade ou não, tenha ele dito isso ou não, temos muito de humoristas, quando não, de palhaços.

Vejam, por exemplo, alguns casos.

O Jornal do Brasil online de domingo trouxe duas manchetes, uma sobre a outra, que justificam este meu ponto de vista. Ambas tratam do mesmo calo carioca: a violência urbana. Reparem só! “Tiroteio atrasa largada para o ‘Desafio da Paz’ na Vila Cruzeiro” e “UPPs não conseguem conter a violência em comunidades pacificadas”.

Já o Estadão online, também de domingo, é mais poético, no sentido amplo da palavra, ao criar a manchete para a primeira notícia destacada pelo JB: “Tiroteio atrasa corrida ‘Desafio da Paz’ no Complexo do Alemão, no Rio”. Vejam que o mancheteiro do Estadão jogou com a oposição atrasar/correr (‘atrasa corrida’), além, evidentemente, do paradoxo contido na dupla tiroteio/paz, também presente na manchete do JB.

Afinal, há ou não há paz? As manchetes estão cheias de antíteses, de ideias antagônicas, de paradoxos. Como é possível, haver paz em meio a tiroteios? Como haver convivência entre violência e comunidades pacificadas? E a sigla UPP significa realmente o que suas iniciais representam ou é apenas mais uma sigla num país dominado por siglas? Há polícia? Há pacificação?

Ou seria a realidade carioca, tão dada a paradoxos, antíteses, ambiguidades, ironias, oximoros?

Ou todos esses são textos irônicos, humorísticos, e estamos pensando que são sérieux?

Fico sem saber.

Mas há outros casos. Vejam mais esta: “Transnordestina vai atrasar cinco anos e custar quase o dobro”, também do Estadão.

Já nesta quer-me parecer que a figura que se impõe não é de natureza antagônica, mas sim de pleonasmo, de tautologia, redundância, de obviedade, enfim de conversa de cerca-lourenço. Estamos cansados de saber que é assim mesmo, nesta pátria varonil. As obras públicas saem apenas no prazo não previsto e sempre custam muito mais do que o previsto. Ou vice-versa, nunca se sabe!

Agora, dura mesmo é a última que trago para vocês: “Ravel Andrade vai interpretar Paulo Coelho na cinebiografia do escritor”. Ninguém interpretar melhor Paulo Coelho do que ele próprio, embora o Mago seja um péssimo ator de si mesmo. Se é que isto seja possível! E aí teremos de tolerar a mídia falar sobre o Paulo Coelho ficcional, o da cinebiografia. Saber sobre o desempenho do falso Paulo Coelho, o tal Ravel de Andrade, e as consequências disto.

Olhem, há certos momentos em que sou um homem muito sério, embora tenha meus frouxos de riso.

Como agora, por exemplo!

Imagem em marcelotrilha.blogspot.com.

VÃO INSTALAR UMA UPP NO EDUARDO PAES

O prefeito do Rio de Janeiro foi jantar com sua esposa em um restaurante japonês da Zona Sul do Rio de Janeiro.

Estava placidamente acomodado, quando foi incomodado por um jovem músico, que se dirigiu a ele e o ofendeu. Como postou no seu Facebook, o músico disse ao prefeito que ele é um bosta e vagabundo.

Não deu outra: o prefeito deu-lhe um soco na cara.

Veja só! Não votei no Eduardo Paes, não sou do seu partido e tenho algumas restrições à sua administração. Mas o soco foi bem dado.

O cara, isto é, o músico, como postou em sua página no Facebook, se acha cheio de razões em odiar o prefeito e lhe dizer na cara o que pensa.

O prefeito, naquele momento, era muito mais o cidadão do que a autoridade. Estava em momento descontraído, com a esposa, para usufruir dos prazeres da cidade. Igualzinho ao músico, que já se encontrava no restaurante e se julgou incomodado apenas porque não deve ter votado no prefeito, deve ser simpatizante de partido oposto ao do alcaide e se julga no direito de ofender. Enfim, se acha!

Se eu fosse o prefeito também desceria o braço nos cornos do cara.

Bem ou mal, o prefeito foi eleito pelo voto direto, secreto e democrático da maioria dos cariocas. Se eu e o músico não contribuímos para sua eleição, temos o dever de respeitá-lo como cidadão. Aliás, devemos respeitar todas as pessoas.

Qualquer homem – mesmo um bosta – a que ele dirigisse seu xingamento reagiria da mesma forma. Alguns até poderiam lhe dar um tiro na cara, por exemplo. A cidade do senhor Eduardo Paes não é um mar de tranquilidade, bem sabemos. E o carinha foi audacioso ao extremo.

Neste caso se pode aplicar a lei física da ação e da reação. Ou a espírita – a do retorno: foi o insulto, voltou a porrada.

O músico e sua mulher foram a exame de corpo de delito e ameaçam processar o prefeito. Por seu lado, o prefeito reconheceu que agiu de forma desmedida e pediu desculpas à população por seu gesto.

Já Mariano Beltrame, secretário estadual de Segurança, está estudando a possibilidade de instalar uma UPP no prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes.

Mariano Beltrame anunciando a instalação da UPP em Eduardo Paes (imagem em rafaeloliveira-rj.blogspot.com).