PARALIMPÍADAS/PAROLIMPÍADAS

A propósito do início de uma nova etapa nos jogos olímpicos RIO 2016, trago aqui uma discussão muito restrita, mas também com sua relevância. Pelo menos, para mim que tenho o maior zelo com o uso dessa nossa tão bela língua portuguesa.

Há duas edições das Olimpíadas para atletas com restrições físicas, os organizadores resolveram chamar esses jogos de PARALIMPÍADAS, embora tais jogos tivessem sido designados até então PAROLIMPÍADAS.

A mudança é um erro linguístico, ou, pelo menos, normativo, no uso da nova palavra.

Ela é constituída do prefixo de origem grega PARA e da palavra OLIMPÍADA, já consagrada. Ora, no momento da criação da palavra, que se dá por prefixação – é uma derivação, do ponto de vista gramatical –, isto é, a adjunção de um prefixo a um vocábulo, há a perda de um elemento fonético. Isto ocorre sempre em que há uma vogal ao final do prefixo e uma vogal no início do vocábulo principal. Tal vocábulo é sempre uma palavra, quer dizer, um substantivo ou um adjetivo que traduzem um sentido do mundo (um ser ou uma qualidade).

Em princípio, todos os nomes – substantivos e adjetivos – são vocábulos tônicos, isto é, vocábulos com força fonética em sua emissão no âmbito da frase, a unidade básica de comunicação verbal. Ao passo que os prefixos e os sufixos são elementos de composição – não-palavras, mas vocábulos gramaticais – átonos, isto é, de emissão fonética branda, sem força nesse mesmo contexto.

Assim, via de regra, quando há perda de um elemento fonético, ao se combinarem prefixo + palavra, é o prefixo que perde fonema, e não a palavra.

O prefixo PARA, entra, por exemplo, na composição de PARÔNIMO, PARONOMÁSIA, que são a combinação, por derivação, do mesmo prefixo PARA, mais o vocábulo de origem grega ÔNOMA (=nome), para formar esses novos vocábulos (“nome semelhante”).

Por esta razão, a palavra a designar as Olimpíadas de atletas com limitações físicas deveria ser PAROLIMPÍADAS e não PARALIMPÍADAS.

 

Resultado de imagem para paralimpiadas 2016 calendario

A NOVA BATALHA DE ITARARÉ

 

Agora a nossa Batalha de Itararé é em defesa do biscoito de polvilho Globo, vilmente atacado por um pasquim norte-americano.

Eu mesmo, contudo, já tive sérios problemas com ele, o biscoito (O jornal nunca vi, nunca li, eu só ouço falar!), no tempo em que usava lentes de contato e estava no Maracanã vendo meu Botafogo. O vento trazia migalhas de biscoito que caíam direto nos meus olhos. Era um inferno! Parecia que todo o Maracanã comia biscoito Globo apenas para me sacanear. Por isso é que, por aquela época, suspendi o consumo, só de birra.

Entretanto devo cerrar fileiras com os nacionais cariocas na defesa do tal biscoito de vento, porque ele é um tremendo engana fome. Mastiga-se o nada, engole-se o nada, e sente-se a sensação inefável de que aquele troço com gosto estranho, sem massa, sem consistência e sustança, sacia a fome. Ilusão passageira, aliás!

Comido acompanhado de café, deixa um retrogosto de ovo, desgraçado! E, se comido aos pacotes, produz nos lábios a sensação de que se passou parafina ou cera líquida Poliflor, incolor e inodora. A única possível harmonização gastronômica do biscoito é com o mate que se vendia aos copos, direto de barricas que os vendedores levavam às costas, durante os jogos. Então o biscoito atingia a excelência de sabor que os cariocas supõem que ele tem, apenas estando nos saquinhos fechados à mão, como nos velhos tempos.

E, se agora ele está a produzir uma guerra semelhante à Guerra da Lagosta dos anos 60, em que nossas obsoletas belonaves se dispunham a enfrentar o poderio atômico francês em águas nacionais, posso garantir que já vi uma quase briga por causa do biscoito.

Pelos anos 90, estava um camelô na calçada do Museu Naval, na Rua São José, oferecendo a iguaria. Tinha dois sacos grandes – um com biscoito doce, outro com salgado –, quando um senhorzinho baixinho se aproxima e pergunta pelo preço. O camelô, então, informa que é cinquenta centavos. O senhorzinho, habituado a pagar dois paus no Maracanã, retruca que o produto então deve ser velho. O jovem vendedor, contudo, informa que o produto é fresquinho, recém-saído do forno. O terceiro-idoso, com o abusamento próprio da sua faixa etária, conclui a conversa:

– Cinquenta centavos?! Então é produto de roubo!

Saí rápido do local para não testemunhar o assassinato de um velho.

Agora, no entanto, estou na defesa do biscoito de vento Globo. E contra a total insensibilidade gastronômica do correspondente ianque, naturalmente habituado a comer hambúrgueres e assemelhados e, portanto, sem a sofisticação do nosso paladar, o qual publicou a denigritória matéria sobre esta iguaria carioca.

Tenho comido! Aliás, tenho dito!

 

Imagem em correio24horas.com.br.

ROSÁRIO

Um terço do tempo de que disponho
Teço plano
Para tomar de assalto os teus enganos

Outro terço do tempo que suponho
Ter como dono
Me abrigo nos escondidos dos teus sonhos

No último terço do tempo que então me sobra
Ponho-me à obra
De reconstruir o que ficou de tanto tempo estranho.

Foto do autor.

Foto do autor.

SE INSISTIR COM O MAC, VOCÊ ME PERDOA, LEITOR?

 

Já disse alhures que o Museu de Arte Contemporânea de Niterói, obra-prima de Oscar Niemeyer, é mais fotografado que mulher nua. Eu mesmo não tenho uma foto sequer de mulher nua. Do MAC, contudo, tenho talvez às centenas.

Pois ontem, depois de alguns dias de abstinência fotográfica, saí à cata do que registrar, sempre pelos mesmos lugares a que a preguição me impele. Peguei a mochila com os equipamentos, coloquei-a às costas e caminhei pelo calçadão de Icaraí, subindo o morro onde se encontra o museu, até chegar à avenida litorânea do Gragoatá, em frente ao campus da UFF. Além das fotos realizadas, comprovei mais uma vez que descer morro dá um prazer enorme, sobretudo depois que você o subiu, quase a se esfalfar, a língua pendurada sobre a barriga sôfrega.

Entre o resto de luz da ida e a já escuridão da noite, fiz vários registros, dos quais trago aqui estes que vão aí abaixo.

Embora este seja um motivo recorrente, espero que o amigo leitor goste e me perdoe a insistência. Para ampliar, é só clicar sobre a imagem.

DSC00246 DSC00259 DSC00264 DSC00272 DSC00275 DSC00284 DSC00285 DSC00289 DSC00290 DSC00292 DSC00295 DSC00297

POEMA SIMPLES

 

Não trava o gosto na boca
A fruta que não se prova
A boca que não se beija
O beijo que não se rouba

Não trisca o tato na pele
O corpo que não se toca
A língua que não se roça
Por sob os negros cabelos

Não ferve de fato o sangue
A dor que passa ao largo
A traição consentida
E um arremedo de vida

 

 

Beijo na cama - Henri de Toulouse - Lautrec

Toulouse-Lautrec, Na cama; 1893 (em valiteratura.blogspot.com.br).

A ÚLTIMA LUA DO OUTONO

(Para Cléia Miranda e Clarice Diniz.)

Andei por Bom Jesus do Norte-ES, onde mora minha mãe, e por Visconde do Rio Branco, terra das amigas Cléia Miranda e Clarice Diniz, nestes últimos dias. Justamente quando pude flagrar a Lua Cheia no seu auge: dias 19 (fotos de 1 a 7, em Bom Jesus do Norte) e 20 (fotos de 8 a 12, em Visconde do Rio Branco). Estou tentando entender a Lua como objeto fotográfico, de forma empírica, no método de tentativa e erro. Não sou profissional, apenas um fotógrafo intuitivo e diletante, que procura ocupar algumas horas de folga na observação das coisas da vida.

Assim, trago aqui alguns dos registros feitos nos céus dessas duas cidades nem tão distantes assim no mapa do Brasil.

Espero que gostem. (Para ampliar, cliquem na foto.)

Foto 1: 18h29.

Foto 1: 18h29.

Bom Jesus do Norte, 19/6/2016, 18h30, com interferência de árvore.

Foto 2: 18h30, com interferência de árvore.

19h27

Foto 3: 19h27.

19h27

Foto 4: 19h27.

19h28

Foto 5: 19h28.

19h28

Foto 6: 19h28.

19h30

Foto 7: 19h30.

18h48, com inteerferência de árvore.

Foto 8: 18h48, com inteerferência de árvore.

18h58, com intereferência de fios.

Foto 9: 18h58, com intereferência de fios.

18h59

Foto 10: 18h59, com interferência de fio.

19h, com interferência de árvore.

Foto 11: 19h, com interferência de árvore.

19h01, com interferência de árvore.

Foto 12: 19h01, com interferência de árvore.