CONTOS LIGEIROS DE PANDEMIA

(Dedicado, com profundo respeito, às vítimas desta terrível pandemia.)

O ESPIRRO

O cara de chapéu de palha adentra o coletivo, já cheio àquela hora da manhã. Chovia fino no momento, e todas as janelas estavam ou completamente cerradas ou com ligeira abertura, a permitir que entrasse um tiquinho de ar fresco. Ele espirra, assim que valida sua passagem. E, mesmo de máscara, é atirado fora do coletivo pelos dois fortões que se sentavam no primeiro banco da direita. Da calçada, ainda grita impropérios em vão contra os fortões.

A FEBRE

À entrada do shopping está o segurança munido de uma garrafa de álcool e um termômetro digital. O termômetro foi calibrado para marcar um grau a menos, a fim de não se perder cliente. Chega um cara de boné e máscara. Lá fora faz um sol intenso. O segurança borrifa álcool na mão do cara e lhe tira a temperatura, momento em que percebe 38° no mostrador e barra a entrada do cara. O cara, revoltado, retira a máscara e tosse em direção ao rosto do segurança, que sai correndo para o interior do shopping, borrifando-se de álcool.

A GARGANTA RASCANTE

No interior da padaria da esquina, há uma pequena fila a aguardar a saída da mais recente fornada de pães fresquinhos. O cara, de gorro e máscara, apressado, raspa a garganta rascante com insistência e dá bom dia fanhoso a todos. Há uma debandada geral, e ele passa a ser o primeiro da fila. A mocinha atendente não conseguiu fugir.

A FALTA DE AR

O elevador só comporta quatro passageiros, conforme normas em tempos de pandemia. Ao descer, para no décimo andar, quando o cara de chapéu de panamá e máscara entra e cumprimenta os outros três. Ninguém responde. O cara, então, começa a apresentar sintomas de falta de ar. Tenta puxar o ar do espaço exíguo, leva a mão à garganta e ofega com dificuldade. Um dos passageiros aperta o botão do quarto andar, após observar no painel a altura em que se encontra o elevador. Assim que a porta se abre, os outros três passageiros saem correndo do elevador. O cara, aliviado, expele o gás intestinal que o afligia com uma cólica. E escapa no térreo, sem olhar para trás. Azar de quem entre!

PROBLEMAS NO OLFATO

O cara de chapéu de feltro e máscara observa, assim que a porta do elevador se abre, a saída célere do outro cara de chapéu de panamá e máscara e entra no elevador, empesteado com o mau cheiro da flatulência deixada pelo outro. Vai até o décimo andar à consulta marcada com o clínico geral, reclamar que não consegue perceber cheiros. Nem do café oloroso que lhe faz a mulher. Deve ser o diabo da sinusite novamente, pensa ele.

AGLOMERAÇÃO

Já havia no local seis pessoas. Todos estão de máscara. O espaço era exíguo. Todos aguardavam atendimento, com reclamações contra o mau cheiro da água da CEDAE. Pelo menos, pensavam, se sentem o mau cheiro, é sinal de que não estão com a maldita COVID-19. Chega o cara de chapéu de couro e máscara, que cumprimenta os demais. Um que responde o cumprimento pergunta se ele também vinha reclamar do cheiro da água. O homem de chapéu de couro diz que não, que a reclamação é contra o hidrômetro, que parece marcar a mais. As outras seis pessoas desfazem a aglomeração instantaneamente, escapando porta afora.

ÓBITOS

O cara sem chapéu e máscara jogava pôquer em casa, quando recebeu a notícia da morte do parente. Era um primo que não resistira às complicações do maldito vírus. Um pouco depois, outra notícia de outro primo vitimado em Itaperuna. Algumas semanas após mais dois primos por afinidade sucumbiram à doença. Todos eles viraram estatística, na conta funesta da pandemia. Foram extraídos do círculo de afeto que enlaça as famílias e lançados entre as centenas de milhares de sacrificados, sem glória, sem honra, sem despedidas. E a desesperança começou a dar as cartas bem de pertinho, fazendo uma sequência macabra de straight flush. Ainda será possível um royal flush para reverter o jogo, pensou ele.

Pieter Bruegel, o Velho. O triunfo da morte; 1562 (Museu do Prado).

JUQUITA E O ISQUEIRO

Um dia Juquita amanheceu cismático, cheio de ípsilones, como nunca havia ocorrido. Ele não era uma pessoa assim. Muito ao contrário. Era um homem circunspecto, de poucas palavras, alheio ao interesse pela vida alheia e, sobretudo, tranquilo.

Mas naquele dia acordou cedo demais, ainda com o escuro da madrugada, e foi até o terreiro assuntar o céu. Como de hábito, acendeu o cigarro, que tragava em longas baforadas, enquanto procurava estrelas e as explicações que delas proviessem. Um pouco depois, durante o café da manhã, disse à mulher que o barulho do movimento das estrelas o incomodara durante a madrugada, de modo que não conseguira dormir direito. Tinha passado parte do tempo na cama, a rolar de um para outro lado, imaginando ouvir vozes misteriosas, numa língua desconhecida. Pensou tratar-se de fala de alienígenas. Como, porém, não fosse de todo sem ilustração, intuiu que qualquer língua diferente do português e do espanhol, que julgava um português malfadado, seria língua de etês. Pelo menos, no entanto, nunca ouvira nada semelhante, ainda mais porque, ao fundo, ouvia ruídos parecidos com os velhos rádios rabo-quentes da sua infância, a tentar sintonizar estações ao longo do dial.

A mulher ponderou que pudesse ser excesso de cera nos ouvidos, a produzir barulhos estranhos dentro da cabeça. Ainda mencionou uma tia já defunta, a tia Laurinda, que tivera sensação igual à dele e passou por uma lavagem, em que quase duzentos gramas de entulhos foram removidos de seus ouvidos. Depois disso ela até passou a ouvir o que não queria, mas tudo naturalmente.

Porém Juquita não admitiu o diagnóstico da mulher. Há dois, três meses fizera limpeza semelhante. E seus ouvidos não seriam capazes de gerar quantidade de cera necessária a produzir ruídos como os que ouvira. Agora mesmo, ali tomando o café com ela, não ouvia nada estranho. Eram os barulhos naturais da vida. Aquilo não foi normal. Foi algo muito estranho.

A mulher indagou, então, se, por acaso, por uma remota hipótese, ele não teria sonhado e, sonâmbulo, saído porta afora da casa no meio da noite, para pitar um cigarrinho, vício que ainda acabaria por levá-lo ao cemitério, como asseverava contrariada.

– Claro que não, mulher! Então eu não vou saber se estou dormindo ou acordado. Aliás só sei mesmo quando estou acordado, porque dormindo não tenho consciência de nada. Foi isso que eu te disse: ouvi o barulho das estrelas se movimentando no infinito e uma espécie de vozes estridentes, falando uma língua esquisita, entre ruídos de rádio sendo sintonizado.

Ele tinha certeza de que ouvira. Só não sabia o que ouvira.

A mulher olhou para ele incrédula, lambuzou de manteiga uma fatia de pão, molhou no café e tirou um bom pedaço. Deu um muxoxo, como que conformada.

– Realmente não sei o que lhe falar. Não sendo cera no ouvido, fica complicado. Vamos ver se isso se repete. Caso aconteça, é bom procurar um médico, para descobrir o que está acontecendo. Ninguém ouve ruídos de estrelas. Eles não chegam até aqui.

Aquela próxima noite passou sem novidades. O casal acordou no horário habitual e, durante o café, Juquita comentou:

– Hoje dormi sem novidades. Não ouvi ruído nenhum. Foi um sono só, até agora de manhã.

– Então, Juquita, não foi nada demais. Você deve ter sonhado. Já ouvi falar num tal sonho vívido, que a pessoa sente como se fosse realidade. E você sabe disso.

– Sei não, mulher! Sei não! Mas que foi esquisito, lá isso foi. Mas vamos tocar a vida em frente como se nada tivesse acontecido. Quero esquecer.

E o dia rolou tranquilo, sem novidades, naquela casa simples, na pequena cidade interiorana.

Na segunda noite do ocorrido, lá vai Juquita, sob o manto da madrugada, até o quintal, para atender ao mesmo incômodo sentido na antevéspera. Tirou o cigarro, que acendeu com o velho isqueiro Ronson, puxou uma longa baforada e se pôs a examinar o firmamento estrelado. Por um instante acreditou ter visto uma estrela piscar mais fortemente, enquanto passava o olhar pela quadra do céu bem acima do Morro das Andorinhas, a se insinuar no horizonte escuro. E tornou a experimentar a sensação de ouvir vozes e ruídos estranhos.

Mal a mulher acordou, contou a ela o ocorrido. E ela não teve dúvidas:

– Vamos marcar uma consulta com o doutor Modesto, para saber o que está acontecendo.

O resultado da consulta, quatro dias depois, deu em nada. O otorrino nada encontrou a justificar os incômodos narrados pelo paciente. E o casal voltou para casa ainda mais desconcertado.

E uma terceira vez voltou a ocorrer o mesmo fenômeno com Juquita. Agora, um tanto receoso da sua condição, disse à mulher que a despertaria, quando se repetisse aquilo, para que ela fosse testemunha.

Na quarta vez, era véspera do Dia de São João, o céu abarrotado de estrelas, Juquita chamou a mulher, com um toque no ombro:

– Acorda, Zefa! Estou tendo aquela mesma sensação. Vou lá para o quintal.

E saiu, já levando o cigarro e seu isqueiro à mão, enquanto a mulher tentava arrumar os cabelos e vestir alguma coisa que a protegesse do sereno da madrugada.

Quando ela, por fim, passados talvez quatro, cinco minutos, chegou à soleira da porta, viu o marido entrando num objeto luminoso, que baixara uma rampa até perto da jaqueira do quintal. Ela, apavorada, ainda gritou pelo marido:

– Juquita!

E mais tempo não houve para nada. O objeto levantou voo, com um suave ruído de motor elétrico, erguendo do chão uma profusão de folhas caídas e subindo ao céu como um dardo de luz.

No chão, próximo à jaqueira, restou apenas o isqueiro antigo, presente que a Zefa lhe dera pelo primeiro Dia dos Namorados que comemoram juntos, dezenas de anos atrás.

Dias depois, Zefa foi levada pelos filhos para tratamento em uma clínica psiquiátrica. E do Juquita nunca mais se teve notícia.

Imagem colhida na Internet.

O PROFESSOR ESQUISITO

Nos anos 80 fui a Goiás ministrar curso de Língua Portuguesa de uma semana, inserido na programação mais ampla de uma pós-graduação “lato sensu” para professores da rede pública do estado. A cidade, ao norte de Goiânia, era Itapuranga, que está lá até hoje – e também no mapa do estado – com a sua divisão referida pelos moradores, entre a parte antiga e a mais recente, por um apelido carinhoso: Xixá e Xixazinho, se não me falha a memória, que é o nome de uma árvore frondosa comum na região.

No terceiro dia em que lá estava, hospedado num pequeno e simpático hotel, ironicamente nomeado Grande Hotel, de cuja existência não mais tenho ciência, faltou água na cidade. E fazia um calor danado! Era verão!

A carga horária do curso se concentrava em aulas pela manhã e à tarde. Ao fim do dia, eu saía da escola estadual em que elas ocorriam suado e reclamando por um bom banho de água fria. Na verdade, com o calor, a água rigorosamente não era fria. Então fui surpreendido, naquela terça-feira à tardinha, com a informação da simpática proprietária, que me lembrava a imagem da minha avó materna, de que não havia água na cidade.

Diante do hotel e à margem do Rio Vermelho, que corta a cidade, havia um posto de gasolina onde davam banho à força em um morador de rua, assim que as cascas de sujeira tomavam conta da sua pele. Segundo fui informado, o homem tinha de ser agarrado por outros dois, para que pudesse passar pela ducha de lavar carros. Tive vontade de ir lá pedir que me fizessem também tal favor. Mas, pombas!, não havia água na cidade inteira! Me atirar no rio estava fora de cogitação: sou inapto para água corrente ou semovente desde que nasci. Contudo eu não poderia continuar a viver em paz, dormir com certo conforto, voltar à aula no dia seguinte, sem um banho pelo menos razoável. E, após o jantar, a neta da proprietária, muito interessada em novidades, gostava de conversar com o professor da cidade grande. E eu não poderia estar em estado deplorável diante daquela adolescente curiosa.

Não tive saída! Fui até a pequena mercearia ao lado do hotel e comprei várias garrafas de um litro e meio de água mineral. A dona do hotel riu da minha iniciativa. Mas tomei um revigorante banho a cavalo, como dizemos na minha terra, de água mineral das profundezas das terras goianas, e pude me apresentar limpinho para o jantar daquela noite.

No dia seguinte, descobri que corria à boca pequena entre os moradores das imediações que ali, no Grande Hotel, se hospedava um professor que tomava banhos com água mineral.

A maledicência humana corre veloz!

Xixá (foto colhida na Internet).
Fruto do xixá.

EVÉM CHUVA!

Aqui tem sol. Não chove. Só relampeia. 
No entanto levanto os móveis e os teréns.
Assunto o céu e o que mais vejo
É um ajuntamento de nuvens traiçoeiras.

Está ventando. Escureceu um pouco. O sol sumiu.
E trovejou do lado da montanha.
Riscam coriscos os céus em ziguezague.
Se piorar eu desço a ladeira.
Vou esperar na casa da comadre
Pois pode ser toró dos brabos o que aí vem.
Baía de Guanabara, Icaraí, Niterói (foto do autor).

CORDEL DO PÔR DO SOL

Estava detido em casa
Aguardando alforria
Olhava pela janela
Principiava o dia
O sol na aba do céu 
Espargindo alegria

E nessa marcha seguia 
O sol no rumo da trilha
Agora estava a pino
Boiando como uma ilha
Na imensidão azulada
Percorrida tanta milha 

E em descendo esmerilha
O lado do seu poente
A procurar um abrigo 
Para as bandas do ocidente 
Deixa no céu uma luz
De um brilho descendente

Esconde-se bem em frente
Ao mar de azul manchado
Pintando nuvens remissas
De um laranja irisado
De roxo quase vermelho
E de rosa amarelado

E o quadro aquarelado
Aos poucos vai-se amainando
O sol atrás das montanhas
Com sua luz desbotando
Ao borrar a escuridão
A noite vinha chegando

Com atenção espiando
A tudo isso assistia
Os olhos sempre atentos
A registrar a magia
Que a natureza nos brinda
Em muita fotografia

Eu procuro o fim do dia
Coleciono arrebol
Acompanho atentamente
Desprezo até futebol
Me considero por isso
Caçador de pôr do sol.

Pôr do sol em Icaraí, Niterói, tendo ao fundo o Rio de Janeiro (foto do autor).

TAMBÉM TENHO O MEU FOLCLORE POLÍTICO

O cara era meu conterrâneo, mas eu não o conhecia, o que só ocorreu em Lisboa, em 2003. Fui encontrá-lo, com a Jane e mais o casal que viajava conosco, em sua cervejaria no Cais Sodré, um belo espaço de gastronomia e entretenimento à margem do Rio Tejo.

Dentre os muitos assuntos que rolaram durante o tempo em que ele permaneceu conosco, o relativo à explicação de como fora parar na cidade ficou até hoje em minha memória, por seu caráter inusitado e mesmo hilariante.

Ele é arquiteto de formação e recebeu convite do então indicado ao cargo de embaixador brasileiro em Portugal, Itamar Franco, para que realizasse algumas obras na residência oficial em Lisboa. Era o ano de 1995.

RO – vou apenas indicar as iniciais do seu nome – viajou então para a capital portuguesa, a fim de atender nosso representante diplomático na Terrinha. Em lá chegando, descobriu que o trabalho consistia na construção de um galinheiro, para que nosso novel embaixador pudesse manter seu arraigado hábito mineiro de comer galinha ao molho pardo, pelo menos uma vez por semana, sem o desconforto de sair procurando galináceos em abatedouros lisboetas. Obviamente que um galinheiro de embaixada não poderia ser feito por qualquer mestre de obra canhestro. Requeria a ciência e a arte de arquiteto diplomado por universidade nacional.

E foi o primeiro galinheiro que RO construiu em sua vida. Até o instante em que ele nos contava a história, entre um trago e outro de chope, acolitado por tira-gostos, tudo por conta da casa, como manda o manual do bem receber visitas inesperadas, RO não tinha feito nenhum outro. Mas, com o prestígio do trabalho realizado na casa do novo embaixador, começaram a pipocar requisições para outros tantos trabalhos em imóveis de brasileiros e de lusitanos na cidade. Tanto é que nunca mais voltou ao Brasil. Por lá ficou, casou e tinha então uma filhinha recém-nascida, motivo que o fez sair um pouco mais cedo, deixando-nos a dolorosa tarefa de secar canecos de chope e dar fim a uma sequência de petiscos, tudo por conta da casa e da boa amizade.

E, como a prever já outro desafio em sua vida de arquiteto, RO nos confidenciou, ao sair, que o diplomata indicado naquele mesmo ano de 2003 para Portugal mandou convocá-lo à embaixada, pois tinha certa obra a lhe encomendar. Era o ex-deputado cearense Paes de Andrade, figura folclórica no cenário político brasileiro, por ter, como presidente da Câmara Federal e em substituição ao presidente da república da ocasião, viajado no avião presidencial até Mombaça, sua terrinha natal, a mostrar a que altura chegara seu filho importante.

RO nos disse, então, que temia ser desafiado a construir um capril, para que o novo embaixador pudesse criar cabras que lhe dessem suculentas e olorosas buchadas de bode.

Fomos embora da cidade no dia seguinte, e nunca soube do desfecho daquele convite que meu conterrâneo arquiteto recebeu de Sua Excelência, o novo Embaixador do Brasil em Portugal.

Vai dar bode! (foto do autor),

POEMA DO AMOR INTERROMPIDO

Há quanto tempo não te abraço!
Há quanto tempo não te beijo,
Não chego junto num cafuné,
Não saímos de mãos dadas pelo calçadão da praia
Nomeando as pedras no mar
Em que batem ondas seculares:
Pedra da Baleia, Pedra da Tartaruga, Pedra do Tubarão,
Nomes escolhidos por teus sentidos de menino.
Quanto tempo, meu pequeno amigo!
Que até nem acompanhei teu crescimento nesse ano tão sofrível
Porque desgraçadamente
Ao avô e ao neto
Tão pouca coisa foi possível.

Francisco com bigode de açaí (foto do avô).

PÔR DO SOL

 Lá fora o sol se põe aos poucos
 Atrás dos morros simbólicos do Rio de Janeiro
 Compondo um pôr do sol iridescente.
 Preguiçoso chego à varanda
 E constato a ebulição das cores 
 Por entre as nuvens que vagueiam sobre a baía.
 Olho a câmara fotográfica dormindo no armário
 Quieta cega irresoluta.
 Melhor ficar em casa!
 As ameaças também vagueiam no ar
 E pores de sol ainda haverá aos montes. 
Pôr do sol em Icaraí, com a Pedra do Índio, a Pedra da Gávea e o Corcovado (foto do autor).

COMO SE CONSTRÓI UM PÔR DO SOL

O fim de tarde ontem, em Icaraí, foi espetaculoso. Parece que São Pedro derrubou a prateleira de tintas primárias, do que resultou o espetáculo. Cheguei ao calçadão da praia um pouco antes das dezoito horas e comecei a registrar os efeitos da luz solar na paisagem, nas nuvens e no horizonte. Aqui organizo em dez imagens, em ordem cronológica, para que meu leitor observe a construção de um pôr do sol bafônico, espetaculoso, ostentoso.

17h58
18h11
18h16
18j20
18h29
18h35
18h37
15h41
18h42
18h51