SOLIDÃO EM RITMO DE TANGO

Põe um velho elepê na vitrola
Senta-te no teu canto
Sorve um gole de chá que não consola
Arruma teu cabelo com os dedos
Olha o teto negro do teu quarto
Vê por entre as árvores da praça
Através do vidro da janela
A luz do sol sobre os casais apaixonados
Abre teu livro predileto na página dobrada
E segue na leitura de tantos quantos versos
Falam da concretude do amor idealizado
Fecha teus olhos por um momento
E certo de que estás só no universo
Repete bem baixinho o último terceto
E maldiz o nome do vil poeta
Que sabe mais da tua vida que tu mesmo

 

Foto do autor.

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